31 mar Novas regras no Campo de Marte: como a mudança impacta o mercado imobiliário em São Paulo
A recente atualização nas regras do Aeroporto Campo de Marte está gerando um novo cenário para o mercado imobiliário em São Paulo, especialmente para incorporadoras, construtoras e investidores que atuam com empreendimentos verticais.
Com a expansão do aeroporto e a adoção de operações por instrumentos (IFR), as exigências relacionadas ao controle do espaço aéreo ficaram mais rigorosas, ampliando significativamente o número de projetos que precisam de aprovação da Aeronáutica.
Neste artigo, você vai entender o que mudou, quais são os impactos práticos e como se adaptar a esse novo contexto.
O que mudou no Campo de Marte?
A principal mudança está relacionada à forma como os voos são operados.
Com a adoção do modelo IFR (Instrument Flight Rules), o aeroporto passa a exigir zonas de proteção mais amplas e restritivas, o que impacta diretamente a altura permitida das construções no entorno.
Principais alterações:
- A área horizontal interna foi ampliada, passando a impor restrições mais rigorosas às altitudes de topo em um raio de 3,5 km. Antes, essas limitações se aplicavam apenas até 2,5 km, o que representa um aumento relevante na área sujeita a controle.
- Criação de uma área ampliada de análise que pode chegar a 20 km de raio (área horizontal externa)
- Passa a ser necessária a aprovação para construções que ultrapassem limites específicos de altitude. Áreas que anteriormente eram dispensadas de análise pelo COMAER passam a exigir a tramitação de processo formal para deliberação do órgão
Na prática, isso significa que quase toda a cidade de São Paulo e parte da região metropolitana passam a ser impactadas.
O que são OPEAs e por que isso não é totalmente novo?
No Brasil, empreendimentos que podem interferir no espaço aéreo são classificados como:
OPEAs (Objetos Projetados no Espaço Aéreo)
Esse tipo de projeto sempre exigiu aprovação da Aeronáutica, especialmente em regiões próximas a aeroportos.
O que mudou agora não é a existência da regra, mas sim:
- O aumento da área impactada
- O endurecimento dos critérios
- A maior frequência de análise para novos projetos
Ou seja, muitas construtoras acabavam não pedindo essa autorização previamente e agora precisam se adaptar ao endurecimento dos critérios e da fiscalização.
Leia também: Quais OPEAs precisam de autorização?
Entenda a regra de altura (ponto crítico)
Um dos pontos mais importantes é o limite de altitude, a chamada “superfície horizontal externa” considera a cota de aproximadamente 827 metros acima do nível do mar
Regiões e cidades impactadas
Além de diversos bairros da capital (como Vila Mariana, Morumbi, Pompeia e Vila Prudente), o raio de 20km também atinge cidades como:
- Osasco
- Guarulhos
- Diadema
- Santo André
- São Bernardo do Campo
- Barueri
Isso amplia significativamente o impacto para incorporadoras que atuam em toda a Grande São Paulo.
Impactos no mercado imobiliário
Entidades do setor estimam que entre 80% e 90% dos novos lançamentos podem precisar de aprovação da Aeronáutica.
Principais efeitos:
1. Aumento da complexidade nos projetos
Empreendimentos precisarão considerar restrições técnicas desde a concepção.
2. Possíveis atrasos
A necessidade de aprovação pode adicionar etapas ao cronograma.
3. Incerteza regulatória
Ainda há dúvidas sobre prazos, critérios e previsibilidade.
4. Risco de inviabilização
Projetos mais altos ou em áreas críticas podem precisar de ajustes — ou até serem descartados.
O contraponto: todos os projetos serão barrados?
Não necessariamente.Pela nossa experiência com a aprovação de construção de prédios e OPEA’s em algo geral, sabemos que:
- A maioria dos projetos tende a ser aprovada
- O prazo médio pode variar entre 1 e 3 meses
- A análise considera o cenário urbano já consolidado
- Existem adaptações que podem ser feitas no projeto e recursos perante a Aeronáutica
Ou seja, o principal desafio não é a proibição, mas sim a necessidade de adaptação e planejamento mais técnico.
Um cenário ainda mais complexo
Essa mudança não acontece isoladamente.
O mercado já enfrenta outros fatores que aumentam a insegurança:
- Revisões na Lei de Zoneamento
- Questionamentos do Ministério Público
- Suspensões pontuais de alvarás
Resultado: um ambiente que exige ainda mais estratégia e conhecimento técnico.
O que muda na prática para incorporadoras e investidores?
Esse novo cenário exige uma mudança de postura:
✔️ Antes
- Aprovação aérea era tratada como exceção em muitos projetos
✔️ Agora
- Passa a ser uma etapa fundamental e estratégica para evitar prejuízos e interdições
Como se adaptar a esse novo cenário
Algumas boas práticas passam a ser essenciais:
- Avaliar restrições aéreas ainda na fase de estudo de viabilidade
- Considerar alternativas de altura e volumetria
- Antecipar análises técnicas
- Contar com especialistas no processo de aprovação
Como a Flight pode ajudar
A Flight atua há mais de 10 anos com processos de aprovação junto à Aeronáutica, apoiando incorporadoras e construtoras em projetos de diferentes complexidades.
Com o novo cenário, contar com expertise técnica deixa de ser diferencial e passa a ser uma necessidade estratégica.
Se você está avaliando um terreno ou desenvolvendo um novo projeto, entender essas restrições desde o início pode evitar atrasos, custos adicionais e riscos desnecessários.
Leia também: Flight: mais de 30 mil processos protocolados junto ao DECEA
Conclusão
A expansão do Campo de Marte marca uma mudança importante no desenvolvimento urbano de São Paulo.
Mais do que uma nova exigência, estamos diante de uma transformação na forma como a cidade cresce, onde infraestrutura aérea e verticalização passam a disputar o mesmo espaço.
E, nesse contexto, informação e planejamento serão os principais diferenciais competitivos.